O STF é a corte mais alta do sistema de justiça brasileiro, enquanto o TSE é o tribunal superior especializado em matéria eleitoral. A literatura tem resumido essa relação como de dominância ou identidade. Argumentamos, em contrapartida, que a governança eleitoral brasileira se desenvolve por interações múltiplas na esfera judicial, cujos padrões oscilam entre cooperação, conflito e acomodação a depender da área temática e da posição dos tribunais na cadeia interativa. Este artigo descreve a relação STF–TSE a partir de tipologia e mapeamento de episódios de interação reportados em O Globo (1994–2023). Cada interação foi classificada por qualidade (reforço, contradição, inércia, emenda), ano, tema, colegialidade, formalidade e ordem de atuação. Os resultados sugerem que o TSE reage mais por decisões colegiadas, enquanto o STF reage com mais frequência e o faz mais por decisões monocráticas. Disputas sobre integridade e regulação de competidores — como cassações e impugnações e regras de fidelidade partidária e verticalização — tendem a produzir contradição e ajustes táticos; temas de cidadania — como passe livre, biometria, participação de minorias — apresentam maior convergência institucional; questões de proteção do sistema eleitoral — como fake news, ameaças à democracia e ao sistema de votação - são marcadas por reforço quase unânime. Os dados refinam diagnósticos anteriores ao revelar que a relação entre STF e TSE não é uniforme, mas estruturada por contextos temáticos e institucionais.